- O que é arrastar o bumbum no chão pelos cães?
- Glândulas Anais: O que São e Por Que Causam Inconforto
- Vermes: quando o scooting é por coceira devido a parasitas
- Glândulas anais vs. Vermes: tabela prática para distinguir
- Checklist seguro: o que conferir em casa
- O que fazer agora (tabela de conduta prática)
- Quando é urgência ir ao veterinário
- Como o veterinário diferencia
- Prevenção (o que realmente reduz reinfecções)
- Erros comuns que agravam o problema
- Perguntas frequentes
- Referências
Resumo
- Na maioria dos casos, “arrastar o bumbum” (scooting) é desconforto com as glândulas anais – mas parasitas (típicos são tênia) também podem causar coceira intensa.
- Forte pista de vermes: “grãozinhos de arroz” (segmentos) ao redor do ânus, no pelo ou nas fezes e história de pulgas.
- Forte pista de glândulas anais: cheiro forte “de peixe”, lambedura exagerada do bumbum/base da cauda, desconforto ao sentar e, as vezes, dor ao evacuar.
- Não esprema glândulas anais em casa sem orientação – pode machucar, inflamar e cronificar o problema. Se houver dor, inchaço, sangue/pus ou o sinal persistir, é caso de veterinário.
- Se possível leve amostra de fezes fresca. Filhotes geralmente precisam de testagem mais frequente; adultos, geralmente, 1-2x/ano (dependendo do risco).
O que é arrastar o bumbum no chão pelos cães?
Arrastar o bumbum no chão é quando o cão se senta e “puxa” seu corpo para frente, esfregando a parte de trás no chão. Quase sempre é um comportamento para alívio de coçamento, pressão ou dor na parte de trás – e não um “mau costume”.
As duas causas mais lembradas são: (1) problemas nas glândulas anais (também conhecidos como sacos anais) e (2) parasitas intestinais, em especial a tênia (tapeworm). Mas existem novas possibilidades (alergias, diarreia/irritação local, pulgas, dermatites, lesões, massas), assim a diferenciação por “pistas” ajuda sem substituir exame.
Glândulas Anais: O que São e Por Que Causam Inconforto
As glândulas anais localizam-se de cada lado do ânus, aproximadamente nas posições de “4 horas” e “8 horas” em um relógio. Elas armazenam uma secreção de odor forte, que funciona como uma “assinatura” olfativa. Normalmente, essas glândulas se esvaziam durante o ato de evacuar. No entanto, quando o duto se obstrui ou inflama, a secreção pode se tornar mais espessa, provocando distensão e dor; em casos mais graves, pode evoluir para uma infecção ou abscesso.
Sintomas Indicativos de Problemas nas Glândulas Anais
- Presença de um odor extremamente forte e característico, muitas vezes descrito como semelhante ao de “peixe” ou “ranço”, que pode resultar em manchas oleosas no chão ou na cama.
- Comportamentos como lamber, morder ou “caçar” a região da cauda ou traseiro de maneira persistente.
- Sensação de desconforto ao sentar, com a tendência a sentar “de lado” ou a dificuldade de levantar e sentar repetidamente.
- Expressão de dor ou gemidos durante a evacuação, além de um esforço acentuado para defecar, especialmente quando as fezes estão moles, sendo que a diarreia pode agravar a dificuldade de esvaziamento.
- Inchaço/vermelhidão localizados ao redor do ânus; nos casos de abscesso, deve haver dor intensa e saída de pus/sangue.
Vermes: quando o scooting é por coceira devido a parasitas (e o que observar)
Vermes intestinais podem causar coceira e irritação anal, levando o cão a arrastar o bumbum. O caso “clássico” observado em casa é a tênia Dipylidium caninum, cujo segmento (proglótica) pode ser visto próximo ao ânus ou nas fezes. Muitos cães com tênia têm poucos sinais clínicos gerais e os tutores percebem principalmente esses “grãozinhos”.
Indícios característicos de vermes (em especial tênia)
- “Grãos de arroz” ou “sementinhas” móveis ao redor do ânus, grudados no pelo, na cama ou na superfície das fezes (eles podem lembrar arroz quando secos).
- Coceira anal com maior “prurido” do que dor (o cão parece estar incomodado, mas não necessariamente dolorido ao defecar).
- História recente de pulgas (a Dipilidium fica ligada à ingestão de pulgas infectadas).
- Outros sinais possíveis: cocô irregular, gases, barriga mais sensível, perda de peso apesar do apetite normal, vômitos ocasionais.
Glândulas anais vs. Vermes: tabela prática para distinguir
| Característica | Mais apropriado a glândulas anais | Mais apropriado a vermes (tênia/parasitas) |
|---|---|---|
| Você visualiza “grãos de arroz” ao redor do ânus ou nas fezes | Muito difícil | Muito sugestivo (ainda mais Dipylidium) |
| Cheiro extremamente forte e oleoso do traseiro | Frequente | Pode resultar de sujeira, mas não é um achado típico de vermes |
| Dor ao sentar/evacuar, não deixa tocar | Pode ser (impacção/infecção/abscesso) | Normalmente menos doente (mais coceira do que dor) |
| Diarreia/fezes moles pioraram juntamente com o scooting | Pode piorar por incapacidade de desovamento | Também pode achar com alguns parasitas (ou com outras causas) |
| Histórico de pulgas | Não seria a causa principal | Pista forte para Dipylidium |
| Inchaço avermelhado ao redor do ânus / pus / sangue | Sinal de alerta (abscesso, precisa de vet) | Não é típico (veja vet para excluir outras causas) |
Checklist seguro: o que você pode conferir em casa (sem fazer mal ao cão)
- Confira a frequência: foi 1–2 vezes no dia (episódio isolado) ou estão repetindo por dias? Episódios repetidos podem exigir investigação.
- Observe o comportamento: o incômodo parece coceira (ele tenta aliviar) ou dor (ele evita sentar, reclama para evacuar, fica reativo ao toque)?
- Inspecione visualmente (sem apertar): levante a cauda com cuidado e olhe a pele ao redor. Procure por vermelhidão, ferida, secreção, inchaço “caroço” ao lado do ânus.
- Procure os “grãos de arroz”: olhe o pelo em volta do ânus, a caminha e as fezes recém eliminadas. Se encontrar, armazene em um recipiente limpo (ou faça foto/vídeo) para o veterinário.
- Cheiro e manchas: verifique se há presença de odor intenso ou manchas oleosas amarronzadas onde ele se sentou/deitou.
- Revise o histórico: houve pulgas na casa? Mudança de ração? Diarreia? Banho/tosa com irritação na região? Passeio em parque/creche/hotel para cães?
- Separe uma amostra de fezes fresca para exame (veja como abaixo).
Como coletar fezes para o exame (do jeito que ajuda de verdade)
- Prefira fezes bem frescas (de preferência coletadas no mesmo dia).
- Use luva ou saco plástico pelo avesso e coloque em um pote limpo (e com tampa), podendo ser o mesmo utilizado pelo laboratório/clinica na coleta.
- Ao não poder levar de imediato, mantenha refrigerado por curto período (não congele, exceto se orientado pela clínica).
- Para diarreia intermitente, pergunte ao veterinário se vale a pena coletar amostras em dias distintos para aumentar a chance de se detectar parasitas/protozoários.
O que fazer agora (tabela de conduta prática por situação)
1) Parece “apenas um episódio” (1-2 vezes) e o cão está normal
- Limpe bem a região externa com gaze e água morna (somente externa: não limpe região interna). Seque muito bem.
- Observe por 24-48 horas: Se sumir e não retornar, pode ser uma sujeira/sujeirada/irritação leve.
- Se retornar, passe para os próximos cenários e marque consulta.
2) Você enxergou “grãos de arroz”/segmentos: trate como suspeita de tênia + pulgas
- Tire foto/vídeo e/ou reserve um segmento em um pote limpo para mostrar ao veterinário.
- Marque consulta: O tratamento correto dependerá do tipo de parasita, do peso/idade do animal (nunca use um “vermífugo aleatório”).
- Faça controle de pulga no animal e no ambiente de acordo com as orientações do veterinário (sem controlar pulga: a tênia poderá retornar). Se você tem crianças pequenas em casa, redobre os cuidados com a higiene.
3) Cheiro forte + lambe-lambe no bumbum + desconforto ao sentar: suspeita de glândulas anais
- Marque a consulta (especialmente se está acontecendo por mais de 1–2 dias).
- Não “esprema” em casa: pressionar errado pode machucar, inflamar e aumentar a dor.
- Anote consistência das fezes (firmes x soltas) e possíveis gatilhos (diarreia, troca de ração, obesidade, alergias).
Quando é urgência ir ao veterinário (no mesmo dia)
- Inchaço do lado do ânus, pele muito vermelha/quente, nódulo dolorido.
- Presença de pus, sangue, odor fétido com secreção, ou “furinho” drenando próximo ao ânus (possivelmente abscesso que rompeu).
- Presença de dor severa (murmúrios, agitação ao toque, cauda baixa, o animal não quer sentar).
- Presença de dificuldade para evacuar, esforço sem saída de fezes ou constipação intensa.
- Presença de apatia, febre, inapetência e vômitos persistentes.
- Filhote pequeno demais, idoso, imunossuprimido ou cão portador de outras doenças – é melhor prevenir do que remediar.
Como o veterinário diferencia (e por que evita erro)
No consultório, o diagnóstico normalmente começaria por exame físico e inspeção da região perianal. Para as glândulas anais, o veterinário pode fazer exame retal, onde avalia dor, edema e o conteúdo do saco anal; quando há inflamação/infecção, pode ser necessário esvaziar e/ou limpar, mais medicamentos específicos. Para parasitas, a base para diagnóstico é a pesquisa nas fezes (utilizando técnicas diferentes, conforme a suspeita) e a história clínica; para o caso da tênia Dipylidium, frequentemente a confirmação do diagnóstico vem da visualização dos segmentos (“arroz”) pelo tutor.
Prevenção (o que realmente reduz reinfecções)
Para evitar vermes (e reinfecções)
- Controle de pulgas contínuo (fundamental para evitar a tênia Dipylidium).
- Exames de fezes em frequência compatível com a idade e o risco (filhotes precisam mais; e os adultos a depender do estilo de vida).
- Recolher as fezes o mais rapidamente possível no quintal e nos passeios; manter a higiene das mãos após o contato com fezes e/ou a área perianal.
- Evitar o acesso a carcaças, outros lixos e reduzir a caça de pequenos animais (quando aplicável).
Para evitar problemas nas glândulas anais
- Buscar fezes moldadas (se tem diarreia crônica, pode dificultar o esvaziamento). Se o seu cão tem fezes moles frequentemente, vale investigar a causa com o veterinário.
- Controle de peso: a obesidade pode dificultar o esvaziamento e a recidiva.
- Fibra pode ser indicada em alguns casos para aumentar o “volume” fecal e ajudar a compressão natural — mas deve ser orientada, pois fibra demais ou inadequada pode causar gases, fezes muito volumosas ou constipação em alguns cães.
- Investigar alergias/dermatites quando existe lambedura crônica e irritação recorrente (muitos casos não são “só glândula”).
Erros comuns que agravam o problema (evite!)
- Dar vermífugo “no chute” e postergar consulta quando tiver dor, inchaço, pus ou sangue.
- Espremer glândulas anais em casa sem treino (risco de machucar, inflamar e causar aversão/dor).
- Tratar “tênia” e esquecer o controle de pulgas (recidiva é comum).
- Ignorar urgência de scooting: pode indicar a presença de infecção/abscesso ou doença de pele/alergia que necessita de tratamento a longo prazo.
- Usar pomadas humanas, álcool, produtos irritantes ou “receitas caseiras” na região anal.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Se eu não vejo “grãos de arroz”, posso excluir vermes?
Não. Muitos parasitas não são visíveis a olho nu, e a eliminação de ovos/segmentos pode ocorrer intermitentemente. Portanto, exame de fezes e avaliação do histórico (pulgas, diarreia, risco) são importantes.
Scooting é sempre glândula anal cheia?
Não. E embora seja comum, também pode ser alergia, irritação por fezes moles, pulgas, parasitas, feridas, massas ou problemas na pele em torno do ânus. Se isso é recorrente, é preciso investigar ao invés de apenas “apertar”.
Groomer pode expressar glândulas anais?
Alguns fazem isso, mas, idealmente, um veterinário deve fazer isso primeiro, principalmente se se tornou regular. Se houver inflamação, infecção, abscesso ou dor, o ato de espremer pode piorar e o cão pode precisar de analgésico/sedação e tratamento.
Com que frequência devo fazer exame de fezes no meu cachorro?
Depende da idade e do risco. Diretrizes em parasitologia veterinária sugerem testagem mais frequente em filhotes (várias vezes no primeiro ano) e, em cães adultos, pelo menos 1-2 vezes ao ano, dependendo da exposição (creche, parque, caça, crianças em casa, viagens). Seu veterinário pode personalizar isso.
O que trago para a consulta para ajudar a fechar o diagnóstico?
Uma amostra de fezes fresca, fotos/vídeos do scooting e de qualquer “grão de arroz”/secreção, e um resumo: quando começou, frequência, consistência das fezes, presença de pulgas, e quais antiparasitários o cão usa.
Referências
- Merck Veterinary Manual (versão para tutores) – Disorders of the Rectum and Anus in Dogs (Anal Sac Disease)
- VCA Animal Hospitals – Anal Sac Disease in Dogs
- CDC – About Dog or Cat Tapeworm Infection (Dipylidium caninum) e aparência de proglótides como “grãos de arroz”
- Companion Animal Parasite Council (CAPC) – General Guidelines for Dogs and Cats (frequência de exames de fezes e triagem)
- AKC – Por que meu cachorro está scooting?
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